A alma encantada das feiras

 Foi arrastando os chinelos no asfalto que Íris chegou nas barracas que ocupavam a avenida. Ali, várias tribos, gerações, vendedores, baladeiros, pedintes, sacoleiros, patricinhas, maconheiros, crianças, idosos e artistas caminhavam distraídos, seduzidos por sapatos, acessórios, artesanatos e iguarias mineiras. No topo da cabeça, o boné vermelho segurava o sol que coroava os pedestres da feira…

Nereidas sicronizando gerações

Cheguei ao clube e de longe escutei a música alta na piscina. O desânimo me lembrou do fone de ouvido no porta-luvas. Quando voltei para buscá-lo, encontrei uma jujuba laranja naquele buraco negro que guarda pipocas de ambulantes, filtro solar, cigarro de palha, papel higiênico, cartão do seguro e o digníssimo fone. Olhei no retrovisor…

Bosque das borboletas

Conto Bosque das Borboletas - Egosatira

Admiro a postura das árvores serenas e seguras aos beijos dos ventos. Plácida, uma delas compartilha seu espaço comigo, sem sombra de dúvidas um porto para descansar, um pouso para descascar aqueles cansaços secos de repetição. As raízes suportam a estafa e a gravidade dos pretéritos, os passarinhos dançam a sinfonia dos tempos, e as…

Psicólegas de boteco

Conto Psicólegas de boteco

Elisa é freudiana, Gabriela é comportamental, e Olívia, junguiana. Elas vão religiosamente ao bar na primeira quinta-feira após o quinto dia útil. Como parte do combinado, é proibido falar o nome dos pacientes, e não vale o mesmo para os sintomas, principalmente aqueles que parecem coletivos. O combinado é substituir a palavra “paciente” por “cliente”,…